Antes eu costumava dizer que alguns dias eram cinzas. Lembro de quando terminei o primeiro namoro, de quando briguei feio com minha melhor amiga, ou quando meu avô morreu… A atmosfera muda e tudo fica nublado. Não que eu goste de associar tempo nublado com coisas ruins, porque eu prefiro dias chuvosos a ensolarados, mas enfim, a cor que define esses dias ruins sempre foi e será cinza.
O que mudou nesse meu pensamento para os dias atuais é que essa “cinzura” agora é constante, eu não consigo mais enxergar o mundo da mesma forma.
Minha mãe religiosa que só, repete há anos que estamos no final dos tempos e que Jesus está voltando, por isso as catástrofes mais constantes e mais intensas. Mas eu, embora cristã também, sempre estive convicta que é a visão de mudo limitada dela, que não consegue ver que o tempo começou há bilhões de anos e que a diferença é a globalização recente que faz as notícias ruins voarem e estarem em todos os jornais, e agora também nas redes sociais, instantaneamente. Fora que antes precisávamos ir na casa do outro pra contar um fato, e hoje tem celular, whatsapp…
Jesus pode estar voltando? Sim. Mas pode demorar mais uns 500 anos? Também. Se ninguém sabe o dia e a hora, sempre acreditei ser muita ignorância dizer, por exemplo, que somos a última geração. E mesmo que fosse isso mesmo o plano de Deus, bem, sendo sincera, eu não gostaria, pois quero ter minha casa, meu emprego, meu casamento, meus filhos, minhas viagens, ah, todo mundo saudável pensa em viver né, e não vou ser hipócrita, tenho dificuldades em dizer “maranatá” de forma sincera e pra hoje, agora.
Mas agora a atmosfera mudou de cor. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará” nunca foi tão real e constante. Pois antes já haviam problemas, minha infância não foi perfeita, mas agora parece que foi sim, pois o ‘ar estava limpo”, colorido, ou mesmo preto e branco, mas não cinza.
Hoje os problemas estão no ar. Nas plantas, nos animais, e na gente. Problemas físicos e psicológicos, ou os dois associados. Problemas em todo lugar e em todas as famílias. Problemas que estão nos consumindo.
Vou tentar explicar o porquê desse meu pensamento tão negativo. Parece que sou pessimista e estou em depressão, e pode ser também, mas existe uma razão e um raciocínio por coisas que têm pipocado em minha mente, e pra não surtar estou compartilhando aqui com vocês pra eu ficar mais leve e vocês mais pesados, haha. MENTIRA, NÃO PARE DE LER! Se não fizer sentido pra você, tudo bem também.
Vamos lá, eu não sou o tipo de pessoa que gosto de estar a par das atualidades, eu não vejo jornal, não sou de ler notícias em redes sociais, sou bem alienada por sinal. Mas são incontáveis a quantidade de notícias ruins que chegam a mim, impressionante! Mais do que isso, as notícias ruins que não são apenas notícias, mas são a realidade de pessoas próximas, amigos e familiares.
O que antes era 1 em cada cidade, 1 em cada bairro, 1 em cada família, agora está 1 em cada pessoa. Mesmo com o fato das notícias se espalharem mais rápido e de forma mais eficiente, é inegável que as coisas aumentaram de proporção e intensidade.
Outra coisa, antes aconteciam coisas bem bravas na nossa própria família, mas a forma de reagir era diferente. Por exemplo, na infância dos meus pais foram uma sequência de problemas pesados e pessoais na vida deles que faz parte do histórico deles, e alguns eles carregam marcas e traumas a vida inteirinha, mas só agora tudo isso está se manifestando em forma de doenças psicológicas e físicas. Por que eles não manifestaram doenças complicadas e morreram lá na época que os problemas aconteceram? Por que eles aguentaram até hoje?
Já nossa geração está tendo todas essas manifestações no quesito saúde instantaneamente. A gente passa por problemas e tem crise de ansiedade, crise de pânico, depressão, doenças autoimunes, bem, estou citando só coisas que eu ou meus pais estamos enfrentando agora, fora os que estão chegando no ponto de se matar, ou morrer mesmo pelas doenças que surgem e logo os levam.
Por que problemas de 1970 e problemas de 2019 estão aflorando no nosso físico e psíquico tudo agora? Vocês têm noção que o passarinho da minha tia está diagnosticado com stress e ele está super abalado, arrancando as próprias penas e irritadíssimo? Que tipo de problema ele passou ou passa? Ele sempre foi bem cuidado. E será que o problema é ser mimado? Dizem que nossa geração é doente por ter tudo o que quer. Será mesmo? Será que os nossos problemas não são suficientes pra desenvolver nossos problemas de saúde ou estamos inventando? E porque então a geração dos meus pais está morrendo de câncer, e só agora?
Eu sou engenheira ambiental e faço mestrado em ecologia. Os animais estão contaminados, as plantas estão contaminadas, o solo está contaminado. O planeta está doente. O planeta não é mais o mesmo. Será tudo só uma fase? Uma coincidência? Nada mais me tira da cabeça que não temos mais pra onde fugir, e essa atmosfera cinza se alastrou, e não terá volta.
Há quem tente levar uma vida saudável, há quem tente ser vegano, fazer ioga, meditar, orar, abraçar árvores, e isso é ótimo. Confesso que muitas vezes umas dessas opções foram fundamentais pra eu aguentar a semana pesada. Mas uma amiga minha que é tudo isso e referencia pra mim de “good vibes” teve que parar o mestrado semestre passado por crise de ansiedade e pânico.
Falando em amigas que são referências para mim, uma outra que conheço desde pequenininha e sempre foi minha inspiração de ser humano bom e iluminado apagou seu instagram e eu só me dei conta disso essa semana, sem querer. Não hesitei em procurá-la pra saber se tava tudo bem, e descobri que ela anda mal, com pensamentos de fuga, suicida, e cheia de problemas pessoais. Hoje ela me contou que a mãe está com câncer. Eu conheço sua mãe, super alto astral, melhor pessoa.
Falando em câncer, o pai da minha amiga bem próxima morreu dessa doença ano passado, a prima da minha outra amiga bem próxima também, com 23 anos. Minha tia morreu esse ano. Fora outras doenças súbitas que levou o tio de uma dessa mesmo amiga que citei nesse mesmo parágrafo, dois tios dos meus primos. Tudo isso de 2018 pra 2019.
Falando em notícias de doenças, foram 6 pessoas SUPER próximas que recebi a notícia só de ontem pra hoje. Não, eu não estou falando de notícias de jornais numa proporção mundial, eu estou falando de pessoas MUITO próximas, notícias que chegariam a mim inevitavelmente, e que se sou normal, isso me abala.
Eu nem sei se deveria estar externando, mas no momento está sendo uma necessidade. Essas pessoas incluem minha mãe com vitiligo, minha irmã com menopausa precoce e tumor no cérebro, sem reagir aos tratamentos, minha orientadora com o sistema gastro-instestinal em pane. Citando tudo isso, me vem mais uns 30 exemplos que aconteceram nos últimos 5 anos só bem próximos a mim, a mãe de Dami que em coisa de 1 semana descobriu tumor no cérebro e morreu, meu Deus.
Não da pra negar que tem algo diferente no ar, não da pra negar que está tudo muito mais rápido e intenso. A globalização e a automatização dos processos aceleram tudo isso, claro. A cada ano a gente ouve: “Tomara que 2017 não seja um 2016.2”, “Nossa, 2018 veio com tudo, quero 2019 logo”, “2019 está esquisito, uma tragédia atrás da outra.”. E a gente se abala com os acontecimentos nos jornais, as mortes, as catástrofes ambientais. Mas ainda tem a nossa família, os nossos amigos, a gente mesmo.
Está todo mundo em crise. A maioria das minhas amigas se afastaram, e eu não as culpo, cada uma está vivendo o seu peso de vida. Eu estou nesse momento precisando de amigos, do meu namorado, e estou aqui sozinha no meu quarto com o meu peso de vida próprio. Mas do mesmo jeito que preciso deles, eles estão com seu próprio peso também, e precisando de mim, e eu também não estou lá com eles.
Eu não duvido que haja amor, mas eu sei que a dor tem pesado muito. Além da minha amiga que procurei porque excluiu sua rede social e estava cheia de problemas, procurei uma das minhas melhores amigas semana passada pra saber como ela vai, porque andava distante de mim e de todos, e ela só respondeu “indo”. Procurei uma outra bff hoje porque postei novidades da minha vida nos stories e ela nem se manifestou, e ela disse que “as últimas semanas tem sido bem tensas e tem notícias ruins”. Não é mera coincidência uma coisa atrás da outra, gente.
Eu não estou desacreditada de momentos bons. Apesar da morte da minha tia esse ano, que foi, se não a pior, uma das piores coisas que já aconteceu na minha vida, esse ano eu realizei sonhos, eu conheci outros países, eu sorri, eu fui a praia, eu terminei uma pós graduação, eu defendi meu projeto de mestrado, eu fiz o curso da profissão que quero seguir, eu fiquei noiva do homem da minha vida. Eu tenho amigos maravilhosos, eu tenho uma família que me ama e está comigo pro que eu precisar, eu tenho um namorado (gora noivo) sensacional, eu tenho MUITA SORTE na vida, eu me sinto privilegiada em tantos sentidos. Claro que algumas preocupações me consomem, principalmente minha vida financeira, aliás, às vezes acho que no dia que eu tiver uma renda fixa vai até surgir uma corzinha na atmosfera, mesmo que seja o marrom hahaa.
Mas o que quero dizer é que mesmo com tanta coisa boa que pode nos acontecer, e acontece mesmo porque Jesus não nos abandona total, a atmosfera continua cinza e a gente precisa aprender a sorrir e ser feliz na “cinzidão”.
Eu sei que o mundo ta perto de acabar agora, mesmo que não seja na minha geração. Eu sei que só nos resta nos adaptar a essa nova atmosfera. O planeta adoeceu, o mundo adoeceu, eu não sei se vou chegar a velhice, eu não sei se meus pais vão durar muito (já estou com lágrimas escorrendo aqui), eu não sei se chego a me casar mesmo, eu não sei de nada. Sempre foi uma realidade essa incerteza, mas as coisas ruins são cada vez mais prováveis de acontecer, sabe? Não tem pra onde fugir.
Eu sei que sou aleatória e sempre conto qualquer história dando voltas, e com esse texto não está sendo diferente, hahah. Mas queridos leitores, descobri esses dias que tem uma cratera gigante no Turcomenistão pegando fogo sem parar há 44 anos e não é um fenômeno natural como os vulcões, foi um acidente provocado pelo ser humano, e ninguém foi capaz de tentar apagar isso até hoje, e nem será né, a não ser que ameace chegar em países mais importantes como os da Europa. Cês acham mesmo que o mundo anda normal? Toda essa evolução tecnológica e toda essa desgraça ambiental da geração passada pra essa.
O mundo pode ter bilhões de anos, mas que a geração dos nossos avôs/pais causou uma bela confusão no planeta, e ainda essa mesma geração vem colocar um catatau de culpa nas gerações mais recentes… oxe, tudo é ponto de vista né, cada um vê no ângulo que sua bagagem de vida o coloca. E pra mim, é isto. Pra mim ninguém tem culpa das desgraças atuais (ao mesmo tempo que todos têm, mas todos são vítimas também), não é nossa geração que é mimada e depressiva, ah, pode até ser também, mas tem algo muito além disso. Vocês de 40, 50 anos também estão doentes, coração, câncer, pele, imunidade. Alguma coisa vai chegar pra gente cedo.
Bem, acabei não falando tanto dos meus problemas, vou resumir aqui agora: Tenho pedra e má formação nos rins, nódulo no fígado, estômago acabadin com pangastrite, bulbite, hérnia de hiato e refluxo, é insuportável e por isso tanta dificuldade na alimentação e essa magreza toda, tenho cólicas absurdas e estou investigando, suspeita de endometriose, tenho outras coisas que prefiro não expor e que não tem cura. Fora outros probleminhas mais bobos tipo atm, bruxismo, canal auditivo mais fino acumulando cera, falta de tendão num dedo do pé haha. Tenho 24 anos.
Cética que sou, vim hoje só pra dizer que com toda minha visão de mundo diferente da minha mãe, com todo meu estudo que me faz ver além de uma geração passada pra essa, mas todo um ciclo de eras: Jesus está voltando, o planeta está com dias contados, a atmosfera já mudou e é cinza mesmo.
Mas, que a gente que está aqui agora, meus queridos contemporâneos, saiba contornar e viver da melhor forma possível diante disso. Duas coisas são essenciais: Pensar que o eterno é muito maior que qualquer tempo por aqui, 100 anos é muito pouco, e em breve estaremos todos juntinhos na eternidade (E é com esse pensamento que não fico chorando todo dia pela minha tia que foi “cedo”, claro que tem hora que não dá pra segurar né). Mas que sejam 100, 70, 50, 25 ou 5 anos de vida aqui nesse planeta lindinho, que a gente tente viver da melhor forma possível! Porque se 1 ou 5 pessoas próximas se foram, tem mais algumas que ficaram que precisam viver e ter nosso melhor agora e enquanto tempo nos resta, não podemos “matar” os vivos.
E mesmo com trauma de planejar casamento, eu tenho planos de um casamento maravilhoso, não apenas o dia, mas todos os dias. Eu tenho planos de fazer várias viagens. Eu tenho planos profissionais (mesmo com 99% das portas fechadas esses anos todos, não importando o quanto me esforcei a vida inteira, isso cansa tanto!). Eu quero todo dia ter pelo menos um motivo pra sorrir, e mesmo que eu não tenha, ta tudo bem também, no dia seguinte deve surgir. Não necessariamente esses planos vão dar certo, mas eles precisam estar vivos pra gente continuar vivendo, porque o cinza tem sufocado muito, a mim e no mínimo a maioria dos que estão aqui respirando. Não é à toa esses filmes de intoxicação no ar, e não apenas por contaminantes ambientais reais, mas vai muito além disso. Bem, a cor cinza a gente não pode mudar, mas a nossa forma de respirar esse ar contaminado sim! A atmosfera agora é cinza, mas o cinza pode ser belo também! Não é todo dia que consigo manter essa esperança e força, mas que esse texto sirva pra mim, porque eu preciso, estou doente como quase todos vocês, mas quero aproveitar o oxigênio que Deus ta me dando. “Combater o bom combate, completar a carreira, e guardar a fé!”
